Registros de lixeiras ao redor do mundo buscam reflexão sobre consumo e desperdício
Você já parou para pensar em como o lixo é manuseado e descartado em todo o mundo? Estamos familiarizados com as normas do Brasil, mas será que em outros países o processo acontece da mesma forma? Buscando sanar essas dúvidas e levar aos estudantes um pouco de cultura e educação ambiental referente ao tema, a professora Thyrza Pires criou o projeto Lixeiras pelo Mundo, sobre o qual vamos falar hoje.
A ideia “Lixeiras pelo Mundo” surgiu em 1995, quando Thyrza dava aulas de resíduos no Curso de Saneamento da Escola Técnica Federal de Santa Catarina (hoje Instituto Federal de Santa Catarina). O objetivo dessas aulas era mostrar aos alunos que nunca haviam viajado para o exterior ou saído da cidade de Florianópolis, como era feito o trabalho de gestão de resíduos em outras localidades. Com o passar do tempo, o projeto cresceu, ganhou espaço na internet com um blog e o conceito de sensibilização ultrapassou as barreiras da escola e levou Thyrza a incentivar seus amigos viajantes a registrarem, através de fotos e filmagens, como são as lixeiras ao redor do mundo e como os resíduos são dispostos nos lugares visitados.

“O Lixeiras pelo Mundo é uma forma diferente de mostrar para as pessoas como podemos pensar no lixo que produzimos de uma forma bem humorada e curiosa. Sempre que amigos viajam, eu peço presentes da viagem, isto é, solicito que me tragam de lembrança de onde andaram, fotos de lixeiras que encontrarem pelo caminho. Com esse pedido inusitado, ao lembrar de tirar as fotos, as pessoas se mobilizam em procurar as lixeiras e pensar sobre os resíduos e como estão dispostos nas cidades que visitam. E as reações são as mais variadas!” – conta a professora, que afirma ter registros de países como Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Panamá, Aruba, Antilhas Holandesas, Canadá, Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Grécia, Holanda, Hungria, Inglaterra, Itália, Portugal, República de Malta, Republica Tcheca, Turquia e Tailândia.
Com tanta dedicação ao tema, é claro que Thyrza não poderia deixar de realizar coleta seletiva de lixo na casa dela, que desde pequena se preocupava com isso.
“Quando era pequena, eu trocava as garrafas de refrigerante por picolés, os jornais por revistinhas gibis e depois que eu lia as revistas, vendia para os colegas. Assim, eu acredito que sempre tive como rotina diminuir o desperdício e tentar reaproveitar tudo ao máximo”.
Perguntamos para Thyrza como incentivar as pessoas a consumirem com mais consciência e a separarem seus lixos de forma correta. A resposta foi tão bacana, que resolvemos publicar na íntegra:

“Diferente de muitos ambientalistas eu acho que as pessoas têm que consumir, sim! Pois é o consumo que move a roda do capitalismo!! E não dá para ser poético nessa hora! Acredito que as pessoas poderiam começar a pensar em diminuir o desperdício. Se conseguirmos identificar o que é desperdício e o quanto desperdiçamos no cotidiano, já temos um bom começo. Aí é só começar a pensar em economizar, isto é, não jogar tantas coisas que poderiam ainda ser aproveitadas no lixo. E se ainda assim acharem que devem jogar fora, então que não joguem no lixo! Quem sabe se, descartando ou encaminhando isto que não nos serve mais, para locais adequados tem-se melhor aproveitamento?”.
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